O que causa a obesidade?
A obesidade não é apenas resultado de uma alimentação inadequada. Ela envolve uma complexa interação entre genética, metabolismo, hormônios e estilo de vida. Entre os principais fatores, estão:
• Desequilíbrios hormonais, como resistência à insulina e alterações nos hormônios da fome e saciedade (grelina e leptina)
• Alimentação rica em ultraprocessados e açúcares
• Sedentarismo
• Privação de sono e estresse crônico
• Fatores genéticos e ambientais
Pesquisas recentes (Nature Reviews Endocrinology, 2024) demonstram que a predisposição genética explica até 70% do risco para obesidade, mas hábitos e ambiente têm papel decisivo no desenvolvimento da doença.
Por que a obesidade é considerada uma doença crônica?
A obesidade é classificada como doença crônica e recidivante, ou seja, uma condição que tende a reaparecer se o tratamento for interrompido. Estudos científicos mostram que, após a perda de peso, o organismo reduz o metabolismo e aumenta o apetite — mecanismos naturais de defesa que dificultam a manutenção dos resultados.
Por isso, o tratamento deve ser contínuo e focado em três pilares: mudança de estilo de vida, acompanhamento médico e suporte psicológico.
Segundo publicação do The Lancet Diabetes & Endocrinology (2023), a obesidade deve ser tratada como o diabetes ou a hipertensão — com acompanhamento de longo prazo e estratégias personalizadas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da obesidade vai além do cálculo do IMC (índice de massa corporal). O endocrinologista avalia também:
- Distribuição da gordura corporal
- Circunferência abdominal
- Exames hormonais e metabólicos
- Histórico familiar e hábitos alimentares
- Presença de comorbidades, como diabetes, hipertensão e apneia do sono
Esse diagnóstico detalhado permite identificar a causa predominante e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Por que é importante tratar a obesidade?
Ignorar o tratamento pode trazer consequências sérias à saúde, como:
• Aumento do risco de doenças cardiovasculares
• Diabetes tipo 2
• Esteatose hepática (gordura no fígado)
• Distúrbios hormonais e reprodutivos
• Problemas articulares e respiratórios
• Impactos psicológicos e sociais
Tratar a obesidade não é apenas sobre perder peso — é sobre recuperar a saúde, a disposição e o equilíbrio hormonal.
Opções de tratamento
O tratamento da obesidade deve ser individualizado, considerando o perfil e as necessidades de cada pessoa.
As principais estratégias incluem:
- Reeducação alimentar: com foco em equilíbrio e saciedade, não restrição extrema.
- Atividade física regular: essencial para o controle do peso e da saúde metabólica.
- Terapia comportamental: voltada a mudanças de hábitos e ao controle da ansiedade.
- Tratamento medicamentoso: em casos indicados, podem ser utilizados medicamentos modernos, como semaglutida e tirzepatida, que atuam nos hormônios da saciedade e têm eficácia comprovada. (NEJM, 2022; JAMA, 2024).
- Acompanhamento contínuo: fundamental para evitar o reganho de peso
Considerações finais
A obesidade é uma doença complexa, mas que pode ser controlada com o acompanhamento adequado. Com o suporte médico especializado, é possível emagrecer de forma saudável, manter os resultados e conquistar mais qualidade de vida.
👩⚕️ Dra. Ana Luiza Pigozzi
Médica (CRM/SP 199.313)
Especialista em Clínica Médica (RQE 117.188)
Especialista em Endocrinologia e Metabologia (RQE 141.921)
📍 Atendimento particular em Presidente Prudente – SP e no Bairro Paraíso – São Paulo (capital).
Fontes:
- The Lancet Diabetes & Endocrinology. Obesity as a chronic disease: evolving evidence and clinical implications. 2023.
- Nature Reviews Endocrinology. Genetics and environment in obesity predisposition. 2024.
- NEJM. SURMOUNT-1 Trial: Tirzepatide in obesity treatment. 2022.
- JAMA. Pharmacologic Management of Obesity in Adults: 2024 Update.
- ABESO – Diretrizes Brasileiras de Obesidade, 2023.

